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Uma amiga muito querida perdeu o único irmão semanas atrás e ao ligar para tentar lhe confortar, ela me perguntou se tinha sido uma boa irmã durante os anos que passaram juntos. Me indagou também se tinha feito tudo o que podia para fazê-lo feliz. E compreendi o quanto é difícil perder alguém sem ter tempo de se despedir, de consertar tudo o que se fez de errado no decorrer de uma vida. Erramos e machucamos muito mais a quem amamos do que a quem odiamos e é nessa hora que dói demais debruçar sobre os próprios erros e saber que os consertos não serão possíveis… Não há como voltar atrás.

Quem assistiu ao filme “O curioso caso de Benjamin Button” pôde ver a cronologia inversa da vida humana, e quem tem o privilégio de ver os pais envelhecerem percebe que, paradoxalmente, eles voltam a ser crianças e o filme, no fundo, retrata esta situação. Ver a minha mãe envelhecer e, definhar com a doença desde 2017 me fez mudar muita coisa no meu comportamento em relação a ela, me tornei mais mãe do que filha, literalmente. E me doei de uma maneira diferente, não porque me tornei uma pessoa melhor, e sim, pelo medo de chorar de remorso após sua partida. Ou seja, no fundo mudei por mim mesma, agi impulsionada pelo egoísmo e não pelo amor. Os filhos agem assim, são egoístas com os pais todo o tempo, e eu não sou diferente quando saio do lugar de mãe. A verdade é que, embora de uma maneira meio torta, me tornei uma filha melhor e mais compreensiva e é uma bênção poder ir me despedindo aos poucos, podendo ir consertando as coisas erradas que fiz, as tantas vezes que não fui boa o bastante, a machuquei e não tive a hombridade de lhe pedir perdão, assim como as outras vezes que não a perdoei quando – sob o meu ponto de vista – ela não foi justa o suficiente comigo. Estou tendo a felicidade de reconstruir nossa história de uma maneira diferente, fazendo certo o que poderia fazer muito errado outra vez. Estou plantando girassóis na nossa despedida.

Infelizmente não sabemos o dia da partida de quem nos é raro, seja uma mudança de cidade, do estado, do país ou até mesmo deste plano espiritual, por isso é importante não deixar coisas mal resolvidas, palavras não ditas, amores mal cuidados. Se precisa pedir perdão ou perdoar alguém faça hoje, pois não temos certeza sobre o amanhã. Se deixou um “eu te amo” preso na garganta, solte-o!

Se você tem a sorte de ter alguém para chamar de seu, agradeça a Deus por isso e se doe por inteiro, se entregue, se jogue… viva intensamente o seu amor, sem se importar com o quanto receberá em troca. Se a relação não vingar você não se culpará por não ter dado menos do que poderia. Tem até uma música que fala: ” É sempre mais feliz quem mais amou”. Não ame pela metade, seja filhos, amigos ou quem quer que seja, se entregue sem reservas.

Conserte os seus relacionamentos hoje, porque a vida não nos fornece garantias e o amanhã talvez seja tarde demais, o ali talvez se torne longe demais e o futuro às vezes não chega. As pessoas não estarão aqui para sempre e a dor do remorso é muito mais dolorida que a dor da saudade…

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