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Ontem um amiga me ligou extremamente triste, pois uma conhecida sua, residente no Pará, foi covardemente assassinada pelo ex marido. Inacreditavelmente, estavam separados há onze anos e mantinham uma boa relação, até que ela decidiu se envolver com outra pessoa e recomeçar uma nova vida. Infelizmente esta mulher passará a fazer parte de uma triste estatística cada vez mais comum nos noticiários: a das mulheres vítimas de feminicídio.

O assassinato, nestes casos, é o ato extremo de uma relação abusiva, o ápice, digamos assim, porém muitas são as mulheres que vivem relacionamentos abusivos e não se dão conta. Sim, o comportamento abusivo , normalmente, é confundido com cuidado, atenção, benquerença e, quando a mulher busca outra alternativa – ou o homem também ( por que não?) é que percebe o que está acontecendo. E não me refiro tão somente às relações entre companheiros de cama, falo de mães que são abusadas por seus filhos. Sim, conheço muitas mulheres independentes financeiramente que não namoram, porque simplesmente os pimpolhos não deixam. Juro por Deus que estou falando a verdade, por mais esdrúxula que esta vos possa parecer. Sem esquecer dos filhos que não assumem a própria sexualidade por causa das escolhas que os pais fizeram.

Sim amores lindos do meu coração, este é o x da questão: ESCOLHA! À partir do momento em que perdemos o nosso direito de escolher o que é melhor para nós e delegamos a outrem esta ação, passamos a viver de maneira abusiva. De um modo geral muitos de nós passamos por relacionamentos assim em algum momento de nossas vidas e sequer nos demos conta disso.

As mães não parem os destinos dos filhos, do mesmo modo que não são propriedades destes. Amor não é prisão e ciúme doentio não é cuidado, é obsessão; da mesma maneira que possessividade não é gostar, é doença e precisa de tratamento especializado. Não se iluda, meu bem, você não está sendo amada, está sendo ABUSADA!!!

Outra coisa que não nos damos conta e é muito corriqueiro por aí são as pessoas que precisam encarnar uma personagem todas as vezes que está na frente do parceiro ou dos pais ou mesmo dos filhos. Se você está em uma relação e precisa se policiar sempre que estiver ao lado do outro, algo aí não está certo! Amar é, acima de tudo, respeitar a singularidade e aceitar o o indivíduo tal qual ele é. Projetar também é uma forma de abuso: não só o que prende e o que mortifica fere; o que modifica sem consentimento também causa feridas.

Que tal aproveitar este ano tão diferente de tudo o que vivemos até hoje para repensar nossas relações? Será que algum de nós não está se permitindo ao abuso neste exato momento? Talvez até estejamos abusando, mesmo que inconscientemente, de alguém… Isso mesmo: talvez sejamos nós os abusadores, por mais absurdo que isso possa soar aos nossos ouvidos.

Sabe o mágico disso tudo? O que é realmente maravilhoso da vida é que sempre podemos mudar a situação, seja ela qual for, independente de que lado estejamos, sempre podemos dar o primeiro passo em relação a mudança.

Amar é dar liberdade ao outro de ser o que sonha. É permitir que o outro evolua enquanto ser humano, é se permitir crescer junto….

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